domingo, 8 de junho de 2008

NA CADÊNCIA MACIA DA BOCA













Ver o poema no link
Ivy Gomide

IN-COERÊNCIA


IN-COERÊNCIA
Ivy Gomide

Farsa de
estrelas cadentes
no inútil dia que
esvai-se
de minhas
mãos.
Por que te amo
se o chão
que me deste
caiu no precipício?
Se o mar
aberto em dois
me engoliu
ou ainda
e apesar da chuva
não alcancei Combray?
Por que te amo
se em linhas tortas
rabiscas
corações humanos?
Se sumiste na esquina
onde prostitutas
fazem ponto?
Sim, amo-te!
Desde o dia
em que surgistes
com estrelas
espremidas
no rastro
de uma noite triste.


RJ – 15/01/2006
___________________________________________________________________

sábado, 7 de junho de 2008

TECLANDO NOITES INSONES

TECLANDO NOITES INSONES


Teclo mornos dedos
estremecidos no frio
táctil dessa noite
congelante.
Dos poros entreabertos
arrastados na preguiça
de tocar areia arrepiante.
Teclo desejos
fumegantes em dizer.

Teclo expor-me
nua da vontade
em me expressar
Sonho exaurido
da noite que espreita
instantes íntimos.

Teclo, martelo, bato, espanco,
necessidade de gritar letras.
Poesia espremida sai
em pequenas gotas farpadas.
Laranja seca, com vísceras
expostas, caixão calado no silêncio
mortal ,onde gritam apenas
noites que se esvaem.
Teclo!


RJ - 18/09/2005
Ivy Gomide


___________________________________________