segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

ENTRE AVENCAS PECA - A - DOR



ENTRE AVENCAS PECA-A-DOR
Ivy Gomide


Entre avencas que transpiram vento
mordo ar na combustão da praia
líquido transtorno
infame delírio
rasgo-me em veias
sangram cortes
realidade dispersa
comprime estrelas azuis
perdem-se os passos
de meus dedos
não os posso alcançar
deus fulmina em mais um gole
no olhar do pecador
peca-a-dor
onde estás?
Perguntam as avencas
com lágrimas poluídas
chora a chuva
de-molhada-mente.

* 2008 *



Este poema faz parte da Coletânea dos 44 melhores poemas de 2008. Antologia do Concurso de poesia sa Abraci.


* * * * * *

domingo, 27 de julho de 2008

BRANCO PAPEL PERMISSIVO


BRANCO PAPEL PERMISSIVO
Ivy Gomide



Diante da Lua
rabiscando existência
enlouqueci.
na verdade o que mais poderia acontecer?
Permito que a noite calada
invada pensamentos
fazendo-me delirar
Permito desejos insinuados
deslizando dedos tragados
no espaço inerte de minha mente
Permito re pensar
realizar.
Permito vazar a brecha
aberta na garganta
até sangrar
Inefável
instante prolongado
proponho
dialogar
palavras deitadas
branco papel permissivo
de idéias
Sou eu
e esse mar assombroso
vagando dentro da lua

Quieta dorme
com olhos abertos
engolindo delírios
ex gotados
Cobre o mundo
sonolento
caio estarrecida.


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sábado, 26 de julho de 2008

DORME MINÚSCULO CORAÇÃO



DORME MINÚSCULO CORAÇÃO
Ivy Gomide



De onde vem a paixão?
alucinação
na branca página
dorme minúsculo coração.
Suspira
qual criança
em posição fetal
boca rosada
namora
amoras
delira

De onde vem a paixão?
truncada
amarrotada
em passos largos
comendo vento
crava olhar
nu ao peito
exalando tesão
fragiliza.
palavras
peles
toques
arrepios
plumas no ar

De onde vem a paixão?
queima
explode
grita
acorda
penetra página
levanta
palpita
no andar torto do torpor
abraça coração.

Dezembro- 2006


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quinta-feira, 3 de julho de 2008

MORDO O AR




MORDO O AR
Ivy Gomide


Mordo o ar
em cicatrizes
Mordo
Ar que perpassa
instantes
escorre
à janela
vermelho

Mordo.

Diluído sêmen
na chuva ácida
Mordo o ar
da boca
pingando
cerejas mentirosas
Cravo dentes
espirrando
manchas azuis

Mordo a voz
que des encanta
o concerto de Mozart
em gargalhada cruel
A face esculpida da lua
queima garganta
em fel

Mordo.

Do sangue coalhado
na rasura
da página
mordo porque
não me ouviste
Mordo pra lacrar
a tranca escrita:
Afaste-se
- Perigo.

Mordo o pedaço
doce da lua
pintado em
branca estrela
Engulo-a
com chantilly
derretido
na boca.
Tocam dedos
lambuzam mãos
amaciam
árido veludo.
Fecham feridas
cicatrizam
horas.

RJ – 2007
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domingo, 8 de junho de 2008

NA CADÊNCIA MACIA DA BOCA













Ver o poema no link
Ivy Gomide

IN-COERÊNCIA


IN-COERÊNCIA
Ivy Gomide

Farsa de
estrelas cadentes
no inútil dia que
esvai-se
de minhas
mãos.
Por que te amo
se o chão
que me deste
caiu no precipício?
Se o mar
aberto em dois
me engoliu
ou ainda
e apesar da chuva
não alcancei Combray?
Por que te amo
se em linhas tortas
rabiscas
corações humanos?
Se sumiste na esquina
onde prostitutas
fazem ponto?
Sim, amo-te!
Desde o dia
em que surgistes
com estrelas
espremidas
no rastro
de uma noite triste.


RJ – 15/01/2006
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sábado, 7 de junho de 2008

TECLANDO NOITES INSONES

TECLANDO NOITES INSONES


Teclo mornos dedos
estremecidos no frio
táctil dessa noite
congelante.
Dos poros entreabertos
arrastados na preguiça
de tocar areia arrepiante.
Teclo desejos
fumegantes em dizer.

Teclo expor-me
nua da vontade
em me expressar
Sonho exaurido
da noite que espreita
instantes íntimos.

Teclo, martelo, bato, espanco,
necessidade de gritar letras.
Poesia espremida sai
em pequenas gotas farpadas.
Laranja seca, com vísceras
expostas, caixão calado no silêncio
mortal ,onde gritam apenas
noites que se esvaem.
Teclo!


RJ - 18/09/2005
Ivy Gomide


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